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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Preparação física no Muay Thai, como ela deve acontecer

A preparação física no Muay Thai é uma preocupação crescente, haja visto que o número de praticantes é cada vez maior. Veja como ela deve acontecer!

Treino e preparação física no Muay Thai
As lutas vêm ganhando muitos praticantes nos últimos anos. Graças ao destaque que estas passaram a receber da mídia em geral, modalidades como o Muay Thai passaram a ser muito mais procuradas. Com isso, a preparação física para estas, mesmo que em título de recreação, ganhou bastante procura. No geral, a preparação física no Muay Thai é bastante complexa, por ser um esporte altamente dinâmico e onde a força, potência e resistência, são fatores fundamentais, tão importantes quanto a técnica.
Assim sendo, é muito importante que alguns aspectos sejam trabalhados de maneira correta na preparação física no Muay Thai para que possamos ter resultados mais adequados e principalmente, para que o praticante tenha uma vida útil mais longa, sem a presença constante de lesões.
Veja os princípios da preparação física no Muay Thai que precisam sempre serem levados em conta!

Preparação física no Muay Thai, princípios básicos

De maneira geral, o primeiro passo para qualquer preparação física é avaliar quais as solicitações de cada esporte. No caso do Muay Thai, temos um esporte de muita força e potência, que tem uma duração de 5 rouds, de 3 minutos cada um. Desta forma, temos uma solicitação puramente anaeróbica, onde teremos uma base de trabalho. Então não há a necessidade de um trabalho aeróbico? Em suma não, mas os treinos intervalados de alta intensidade, por exemplo, serão eficientes para a melhora desta condição também.

Veja agora os princípios básicos da preparação física no Muay Thai!

1. Desenvolvimento gradual:Este é o ponto básico de qualquer preparação física. Mas aqui quero mostrar muito mais do que apenas a questão da progressão das cargas. A seleção das capacidades físicas a serem trabalhadas é um ponto muito importante também. Por exemplo, o Muay Thai se destaca por sua utilização constante de potência. Mas jamais iremos ter um trabalho totalmente focado na potência já no início da periodização. Antes disso, temos de trabalhar com fortalecimento muscular, resistência de força e muscular, força pura, para daí então, termos um trabalho com maior foco em potência.
Somente em caso de uma periodização ondulatória é que teremos um método diferente. É lógico, que isso será trabalhado no contexto do Muay Thai, para que não tenhamos perda de desempenho. Além disso, toda a questão do volume e intensidade do treino precisam estar adaptadas a isso.
2. Movimentos funcionais:Dentro da preparação física, cada vez mais temos um aumento da utilização funcional da preparação física. O que seria isso na prática? Usar movimentos que tenham uma boa possibilidade de transferência de força e energia, que auxiliem na melhora da técnica e que no contexto do esporte, trabalhe dentro de sua solicitação específica. Por exemplo, na preparação física no Muay Thai, ao invés de usarmos a cadeira extensora para desenvolvimento da força na extensão de joelho, iremos dar prioridade ao agachamento, que integra mais músculos e está melhor inserido no contexto do esporte, já que ele proporciona uma transferência de força para a realidade do Muay Thai.
O mesmo vale para treinos de membros superiores, onde os movimentos compostos, com a participação de mais de uma articulação, são mais eficientes, por envolverem mais unidades motoras. É importante salientar que em dadas situações de fortalecimento muscular ou de recuperação, isto pode mudar completamente.
3. Integração das solicitações motoras e físicas:De uma maneira geral, a preparação física precisa estar integrada ao treinamento em geral. Neste sentido, salvo alguns casos, integramos diversas situações, como por exemplo o trabalho de força com resistência, de potência com força e assim por diante. Isso porque durante as solicitações da luta, não haverá uma separação entre estas solicitações e na preparação física, isso precisa ser levado em conta.
Além disso, hoje com a integração da funcionalidade e da preparação física, muitas vezes usamos treinos compostos por diversos movimentos e diferentes solicitações físicas. Isso faz com que a integração com a realidade de luta seja muito mais facilitada.
Como integrar a preparação física no Muay Thai com os treinos técnicos?
Esta talvez seja uma das questões mais importantes da preparação física no Muay Thai. De maneira geral, temos de procurar uma integração onde possa ocorrer a supercompensação e a o desenvolvimento físico e técnico. Aqui a integração entre estes dois tipos de treino é fundamental. Por exemplo, se você treina 3 dias por semana o Muay Thai, tem pelo menos mais 2 ou 3 para a preparação física.
Porém, se você fizer isso, tem que saber que poderá haver a interferência de um treino em outro, dependendo de seu nível de desenvolvimento.  
Além disso, sua rotina também precisa ser levada em conta. Se você trabalha muito e tem dificuldades em manter uma rotina de treino, precisa ter a clareza que não adianta tentar treinar todos os dias. Sua periodização será quebrada se você não manter a rotina de treinos.

Neste sentido, esta integração entre os treinos técnicos e físicos, é muito importante levar em conta qual é seu objetivo com o Muay Thai, como ele se adequa a sua rotina. Por isso, é muito importante que esta integração seja individual, de acordo com as suas necessidades.
Perceba que a preparação física no Muay Thai é bastante complexa e que não existem regras prontas. O mais importante é a integração dela com os treinos de Muay Thai, seguindo uma periodização e principalmente, levando em conta as especificidades do esporte. Sem isso, não é possível ter um treino de alta qualidade! Bons treinos!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Musculação e Ciclismo: As vantagens da prática em conjunto


José J. Duque Filho

 

O ciclismo é um esporte praticado mundialmente, seja para fins competitivos ou utilitários. É uma atividade rítmica e cíclica, ideal para o desenvolvimento dos sistemas energéticos, aeróbio e anaeróbio (BOMPA, 2001). A capacidade aeróbia é o metabolismo predominante no ciclismo, porém o treinamento resistido também ocupa um lugar relevante nesta modalidade, principalmente onde a força é mais atuante em uma largada, subida, fuga e sprint (BALGA e MORAES, 2007). Vale lembrar que qualquer movimento humano necessita de força muscular, no ciclismo não será diferente, essa qualidade física é fundamental para a manutenção da posição sobre a bicicleta, quanto na ação de pedalar. 

Imaginem a seguinte situação: O que decide uma prova de ciclismo de 150 km? A maioria das pessoas responderia a capacidade de resistência aeróbia. 

Antônio Carlos Gomes (Phd em treinamento desportivo) nos responde com uma outra pergunta. Em uma prova dessa distância o que lhe faz sobrar do pelotão? A resposta é bem simples, pelo fato de você não conseguir pedalar uma subida com ritmo muito forte, e/ou por não conseguir pedalar por algum tempo a 50 km/h, por exemplo. Então podemos dizer que a força será crucial para a decisão desse resultado. 
Como se define então o conceito de força? 

Para Guedes (1997) força é a capacidade de exercer tensão muscular contra uma resistência, superando, sustentando ou cedendo à mesma. Weineck (1999) define força quanto às suas manifestações em força máxima, força explosiva e força de resistência.  Força máxima: é a maior força que o sistema neuromuscular pode mobilizar através de uma contração máxima voluntária, ocorrendo (dinâmica) ou não (estática) movimento articular (WEINECK,1999; PLATONOV e BULATOVA, 1998). Força explosiva: é definida como a força produzida na unidade de tempo (ZATSIORSKY,1999; BADILLO e AYESTÄRAN, 2001). Força de resistência: é a capacidade de um sistema neuromuscular sustentar níveis de força moderado por intervalos de tempo prolongado (WEINECK,1999; PLATONOV e BULATOVA,1998; GUEDES,1997).

Pensando nisso, podemos dizer que a musculação e também o trabalho de força executado de forma correta com a própria bicicleta, devem ter um tratamento especial no planejamento dos treinamentos para uma temporada, devendo estar de acordo com os objetivos de cada fase de treinamento. Em se tratando especificamente da musculação, podemos dividir os trabalhos basicamente em duas partes: uma para alguns segmentos do corpo que terão a função de dar sustentação e apoio ao ciclista no ato de pedalar, como braços, costas, core e peitoral, de 2 a 5 séries de 15 a 25 repetições com curtos intervalos entre as séries, com o objetivo de desenvolver a força de resistência.  É importante observar que um ciclista não deve ter uma área frontal - tórax e braços - muito desenvolvida, para ser mais aerodinâmico. 

Seguem abaixo alguns exercícios:
Já para a musculatura das pernas, que tem a função principal no movimento dos pedais, a questão é muito mais complexa e requer avaliação de cada caso, levando-se em consideração vários fatores, como idade, tipo de prova que o atleta vai competir, biótipo do atleta.
 
É importante lembrar que em musculação, com a simples mudança na quantidade de repetições, nos intervalos entre as séries, ou mesmo nas cargas de trabalho, podemos atingir diferentes objetivos, desde o aumento da força máxima, da potência ou da resistência.

Seguem abaixo alguns exercícios:


Vale lembrar que não existe nenhuma “receita de bolo” para nenhum tipo de treinamento, acima segue apenas um esboço e uma ideia dos benefícios da musculação no ciclismo, e os treinos de musculação acima citados segue apenas exemplos de alguns de inúmeros exercícios que podemos utilizar. 

Torna-se indispensável o acompanhamento de um profissional de educação física de preferência com experiência em treinamento desportivo, para adequar estes exercícios ao seu planejamento afim de que realmente seja possível alcançar um nível ótimo de desempenho, pois a força mal trabalhada pode inclusive prejudicar o rendimento do atleta.

Com base em alguns estudos, muitos autores sugerem que o treinamento de força pode ser um valioso auxílio ao programa de exercícios de atletas de resistência como os ciclistas. Apesar de gerar pouco ou nenhum no VO2 máx., aumenta a potência anaeróbia, melhora a economia de movimento e aumenta também o tempo até a exaustão de exercício como no ciclismo. Sendo assim, seus efeitos parecem ser positivos em relação à melhora no desempenho de resistência. 
José J. Duque Filho é graduado em educação física pelas UNIVERSIDADES, Presidente Antônio Carlos (UNIPAC-JF) e Salgado de Oliveira (UNIVERSO -JF), Pós- Graduado em Musculação e Treinamento Funcional (Unifoa- RJ), diversos cursos na área de ginastica de academia, personal trainer, treinamento individualizado para terceira idade.